sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Blog doe um remédio

Criei um outro blog como já havia dito que faria. A idéia é que através dele as pessoas possam se contactar e dividir informações quanto à doação de medicamentos.
Às vezes temos um medicamento qualquer de alto custo ou baixo custo, não importa, e ele pode ser útil a alguém que precisa utilizá-lo e não tem condições financeiras de comprá-lo.
Pacientes de câncer, Aids e outras doenças vêm a óbito e suas famílias simplesmente por falta de cabeça mantêm a medicação guardada e acabam por jogá-la fora enquanto ela poderia ter sido útil a alguém.
A idéia está lancada, tomara que funcione!!!

Abraços a todos,

Anderson

http://doeumremedio.blogspot.com/

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

FALTA ABACAVIR EM SÃO PAULO

Querido leitor, falta Abacavir (Ziagen) nas prateleiras de medicamentos dos centros de distribuição de medicamentos do Estado e da Prefeitura na cidade de São Paulo.

O Abacavir é um nucleosídeo análogo e faz parte dos medicamentos que deveriam ser distribuídos gratuitamente pelo Estado. Eu tomo 3 medicamentos: Kaletra, Abacavir e Tenofovir. Infelizmente a retirada de um deles do meu "coquetel" pode resultar em resistência do vírus HIV e posterior aumento de carga viral e queda de células CD4 (são elas que protegem meu organismo contra a ação do HIV e das infecções oportunistas).

Pois é, emprestamos dinheiro ao FMI mas a saúde pública continua sendo deixada de lado. Procurei pela internet de cabo a rabo pra ver se achava alguma notícia consistente ou reveladora sobre este assunto, mas tudo que encontrei foram notícias de que o medicamento iria faltar e ponto final. Ou seja: se virem soropositivos, está em falta e ponto final.

Isso é no mínimo revoltante! Sou cidadão brasileiro como todos vocês, leitores, e fico indignado quando estas coisas acontecem! Desde dezembro que o C. R. Penha na zona leste de São Paulo onde me consulto com médico infectologista me informa que o medicamento está em falta e não há previsão para chegada antes da segunda quinzena de fevereiro. Pois bem, hoje já é 18 de fevereiro e nada!!!!

Vocês devem estar se perguntando como posso ter ficado sem um medicamento que mantém vivo desde dezembro do ano passado. E já que estamos falando de descaso no país da corrupção vai aí outra notícia:
Os medicamentos do coquetel anti-HIV não são vendidos em farmácias ou em laboratórios no Brasil, eles são somente para distribuição gratuita pela rede pública. Acontece que há cerca de 1 ano e pouco outro medicamento que tomo, o Kaletra, também estava em falta e um paciente no Hospital Heliópolis (destes conhecidos de fila que fazemos em consultórios médicos) me forneceu um telefone de uma "enfermeira" que tinha acesso aos medicamentos e poderia me arrumar o medicamento em falta por uma pequena colaboração que à época me custou cerca de R$ 300. Não sei como se fez o esquema, mas ela me disse que não poderia me trazer somente o medicamento que estava em falta, que precisava do nome de todos os medicamentos que eu tomava e me traria os 3 de uma vez. Graças a esta "senhora" que me entregou os medicamentos em uma estação do metrô eu fiquei com a dose correta do Kaletra até que a distribuição fosse devidamente normalizada na rede pública.
Isso aconteceu comigo porque tive a sorte de ter o dinheiro na hora e poder "pagar" pela medicação que na rede pública havia desaparecido.
Com certeza essas pessoas não compraram o medicamento do laboratório, uma vez que a comercialização é proibida em território nacional. Mas devido às falhas na distribuição algum lugar bem sabido por ela tinha o medicamento. Algum médico aviou uma receita com os medicamentos que tomo e ele foi retirado em algum lugar. Isso não é uma vergonha? Tenho certeza que Boris Kasoy há de concordar comigo.

Errei em não denunciá-la? Acredito que não, uma vez que utilizei o serviço no intuito de me manter vivo e sadio. Há erro na ação desta pessoa? É claro que há, no país da corrupção esta e outras falcatruas deveriam ser inexistentes, mas o tal mercado paralelo não deixará de existir enquanto o descaso das autoridades continuar com a saúde pública.

Eu tive a sorte de ter encontrado esta pessoa que me forneceu o tal telefone (já o joguei fora e sequer me lembro do nome da tal enfermeira) através do qual consegui o medicamento na época. Graças a isso fiquei com doses extras do medicamento desaparecido das prateleiras do Centro de Referência desde dezembro de 2009. Mas e daí? O medicamento está acabando, tenho mais 10 doses...e depois, o que faço? O que é que os Josés, as Marias e os Joãos desse país farão sem o Abacavir? Sem o Kaletra e sem mais sei lá o quê?

Há alguns meses vi na TV que a farmácia de um hospital referência em tratamento de Aids havia sido assaltada. Imediatamente me lembrei da tal enfermeira. Ela é culpada? Com certeza é, mas tenho a dizer que este mercado paralelo só existirá enquanto o descaso conosco prosseguir nas farmácias públicas de nosso país.

Eu farei o que de legal houver a meu alcance para obter o Abacavir do Estado. Acho que é possível mover uma ação no Juizado de Pequenas Causas para a obtenção do remédio, vou me informar a respeito.

O Abacavir, pelo que sei, é uma medicação que a maioria das pessoas que o toma o faz porque apresentou falhas na terapia anteriormente, ou seja, quem toma Abacavir só o toma porque já é resistente a outras medicações anteriormente tomadas. Ao menos é o meu caso, em 2003 ou 2004 minha carga viral começou a subir e meu CD4 começou a baixar: os medicamentos que tomava não estavam mais fazendo efeito.
Fiz um exame chamado genotipagem que comprovou que eu era resistente a todas as medicações existentes no mercado. Minha morte era certa em pouco tempo porque eu não tinha mais o que tomar.

Quis Deus, assim permitiu Ele, que eu ficasse alguns meses sem tomar nada e na realização do exame de genotipagem feito após as "férias" uma nova terapia fosse introduzida com o coquetel que tomo atualmente. Eu já vi outras pessoas morrerem por falta de medicação que fizesse efeito, mais uma vez tive sorte e isto não aconteceu comigo. Mas será que outros tiveram a mesma sorte que eu ou terão ao terem o Abacavir retirado de suas terapias? Só Deus é quem sabe.

A funcionária da farmácia em sua santa ignorância me disse hoje calmamente que a minha médica estava substituindo o Abacavir pela Estavudina. Eu já tomei Estavudina durante anos (sou soropositivo desde 1987) e minha carga viral só subia depois de pouco mais de um ano com aquela terapia. E ela ainda me deu de presente uma sensação de dormência no pé direito chamada de neurite periférica, muito comum quando da ingestão desse medicamento por algumas pessoas.

Bem, é isso, vamos ver que fim isso tudo vai ter. É bom o meu relato para as pessoas que acham que hoje em dia não devem se preocupar em fazer sexo seguro porque a Aids é perfeitamente tratável e alguns comprimidinhos diários podem resolver o problema. Se elas soubessem...

Se algum leitor tiver o Abacavir em seu armário porque mudou de medicação e não o devolveu ao Posto de Saúde, por favor entre em contato comigo, ok?

E pensando nisso me veio uma idéia. Vou abrir um blog

que pode ser acessado pelas pessoas que têm medicamentos que não utilizam mais e que podem ser utilizados por quem os necessita, não é uma boa idéia. Mãos à obra!!!

Abraços a todos!

Anderson

PS: se você não tem o Abacavir e tem dinheiro para comprá-lo, encontrei esta farmácia no exterior que vende cada comprimido por US$ 13,04 (R$ 23,77), ou seja, a dose para um mês sai pela bagatela de R$ 1426,20 no câmbio de hoje. E vamos pagando impostos!!!

http://pharmacy-bestsellers.net/comprar-ziagen-brazil.html

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

E-mail de uma leitora de 09/02/2010


E-mail de Lúcia


Oi Anderson, Fico aliviada com noticias suas...que bom que deu tudo certo em suas viagens...continue postando em seu blog, que estarei sempre dando uma passadinha por lá..vc foi a primeira pessoa em que eu li falando sobre o HIV positivo...sei que vou aprender muito com sua experiência de vida pós HIV...faz 4 dias que descobri que contrai o virus depois dos exames de pré natal, estou grávida de 17 semanas e em choque ainda...confusa e com muito medo...fiquei um pouco aliviada depois que li o seu blog...meu marido fez o exame ontem e também está apreensivo...hoje é meu aniversário e pela primeira vez não achei motivo para comemorá-lo...amanhã irei ao laboratório para marcar ou fazer o exame cd4...não sei direito o que é...mas sei que vou conviver com isso pra sempre...obrigado por me mandar o e-mail e tudo de bom pra vc que passou a ser meu referencial de como se viver uma nova vida!!! bjus e até mais.
Querida Lúcia, em primeiro lugar quero lhe desejar, mesmo que atrasado, um Feliz Aniversário. Celebrarmos o fato de estarmos vivos é sempre bom em nossas vidas quaisquer que sejam as circunstâncias, minha amiga.



Pode lhe parecer que eu, Anderson, vivo a jogar o jogo do contente na vida e talvez isto até desmereça um pouco minha pessoa no sentido que pra meus leitores eu sou um cara de sorte.


Eu não gosto de falar sobre religião porque este assunto é bastante delicado. Independente de qualquer coisa o que eu posso lhe dizer, Lúcia, é que entre imediatamente em contato com essa energia de vida que você tem aí dentro de você. É ela que vai mantê-la viva e lhe dar forças pra superar os momentos difíceis que podem estar por vir, e também os maravilhosos momentos que certamente também estão por vir. Porque a vida é assim, Lúcia, a minha, a sua, a dos outros, a vida é cheia de bons e maus momentos.


Eu não sei quantos anos tem e nem sei se já leu meu livro, mas queria lhe dizer que aos 20 anos de idade recém feitos, portanto há exatos 22 anos indo para 23 em 13 de março próximo, um médico me disse que eu não deveria ter mais do que 2 anos de vida à frente. E aqui estou eu pra lhe escrever e tentar de alguma forma amenizar sua dor e apreensão.


Sempre quis ter um filho, mas como nasci homossexual e descobri ser HIV muito cedo, decidi por não tê-lo. Se tivesse tido um fiho (adotado) naquela época, ele já seria um homem feito. O tempo passa tão rápido, né?
Eu na minha vida, Lúcia, sempre lido com ambas as probabilidades de acontecimento ao encarar um problema. Se eu fosse você eu provavelmente lidaria com o fato de estar grávida e ter descoberto ser HIV+ da seguinte forma:


1) Se meu marido for HIV+ como eu nos apoiaremos mutuamente nessa jornada. Caso ele não seja, ficarei muito feliz por ele e o mínimo que eu espero dele é que me apóie. Caso ele não me apóie quem vai perder será ele, e não eu. Não vou dar lugar em minha mente à questão da culpa porque isso é ruim pra mim e agora eu só quero o que é bom pra mim. Preciso cuidar de minha saúde muito mais agora porque vem aí uma vida que vai precisar de mim e tenho fé que ela será muito bem-vinda e virá com saúde.


2) Estamos em 2010, tenho muito mais sorte do que o Anderson porque ele descobriu que era HIV+ quando sequer remédios existiam, e o número de drogas disponíveis hoje é imenso e tenho certeza que eu me enquadrarei muito bem dentro de um tipo de tratamento disponível.




3) Não vou entrar em pânico porque não há razão pra isso. Não sou a primeira e infelizmente não serei a última mulher a descobrir a sorologia em um exame pré-natal. Hoje em dia a porcentagem de chance de um bebê nascer com o vírus se a mãe fizer o pré-natal direitinho é muito baixa. Vou pesquisar sobre o assunto e falar com meu médico a respeito.




Se a criança nascer soronegativa ficarem imensamente grata, mas se o contrário acontecer não me desesperarei porque sei que o número de adultos nos dias de hoje que já nasceram com o vírus é bastante grande e não será diferente com meu bebê.


Uma coisa que eu queria lhe dizer sobre médicos. Não se contente com pouco, Lucia. Se não gostar do médico, troque, troque e troque até se acertar com um. Não digo agora, porque você precisa ser assistida durante o pré-natal, mas depois que o bebê nascer não se deixe levar pelo conformismo do “é ruim, mas é de graça”, ok? Lhe digo isso por experiência própria...rs...

Bem, minha querida, por enquanto é só. Espero que de alguma forma tenha lhe ajudado. Estarei sempre aqui pra trocarmos idéias, ok? Infelizmente já é tarde e tenho que ir dormir porque amanhã trabalho até tarde da noite e tenho faculdade pela manhã. Sim, eu, Anderson, HIV+ desde os 20 comecei a fazer faculdade aos 42 beirando os 43. Acho que dá pra você ver que não vejo o vírus como uma sentença de morte, não é, Lúcia?

Desde já lhe agradeço pelo contato e queria lhe parabenizar por ser a primeira a ter seu e-mail e resposta publicados no blog. Desde o ano passado eu já pensava em publicar os e-mails que recebo, mas adiei até hoje não sei por quê. Recebo uma média de 2 a 3 mensagens por mês já há anos e sempre acabo escrevendo respostas longuíssimas...rs...não consigo evitar de escrever muito. De agora em diante vou começar a dividir aqui neste espaço os problemas das pessoas que me escrevem com o intuito de ajudá-las e também ajudar pessoas que possam estar passando pelo mesmo tipo de problema.
No fundo, no fundo, sem querer simplificar demais, nossos problemas como soropositivos são muito similares e às vezes uma resposta pode acabar ajudando outra dezena de pessoas sem que elas necessitem me escrever, entende?

A propósito, não vou divulgar seu e-mail nem tampouco seu nome. Trocarei seu nome na mensagem divulgada no blog, ok?
Se quiser pode assinar o blog como seguidor e não ter seu nome divulgado, ok? A vantagem é que como eu escrevo pouco no blog por falta de tempo as pessoas não têm que checar se há post novo e perderem tempo com isso. O blog avisa quando há post novo.

Um beijo grande pra você. Quando quiser me escrever mais fique à vontade. Não costumo responder de imediato mas uma coisa é certa: sempre respondo, ok?

Beijo grande pra você e pra esse anjinho que começa a se preparar aí dentro de sua barriga. Anjinho nenhum gosta de perceber a mãe triste, viu? Trate de se animar e comemorar seu aniversário hoje mesmo porque você tem sim, muitos motivos pra comemorar a vida
. Basta olhar ao seu redor. Fica com Deus.

Anderson Ferreira

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Cheguei de Dubai!!!






































Tenho recebido e-mails de leitores preocupados com o desenrolar da história de Dubai me perguntando se eu voltei, se correu tudo bem por lá, etc. Pois bem, fui à Dubai em Janeiro de 2009, saí para o Egito, retornei do Egito e saí para o Brasil. Depois, em janeiro de 2010 fui ao Egito novamente via Dubai e fiz tudo novamente são e salvo!!!

O segredo é, meu amigos soropositivos que vão a Dubai. Viajando de Emirates há probabilidades, e grandes, dependendo do seu tipo físico (se for moreno e se parecer árabé as chances são grandes) de que suas malas sejam revistadas na entrada do país e até mesmo na saída. Nas 8 vezes em que entrei e saí de Dubai só pediram para revistar minha mala uma vez, mas meu companheiro de viagem teve a mala revistada umas tantas vezes simplesmente porque não tem a pele branca e olhos azuis como eu. Sim, essa é a verdade, na cabeça deles só porque eu me pareço europeu não represento grande perigo à segurança nacional...rs...não sei por quê, uma vez que poderia muito bem por dinheiro, sei lá, ou por outro motivo qualquer, trabalhar para membros terroristas....rs...o que não é o caso, é claro...rs...

Continuando, se você viaja de Emirates (a linha aérea dos Emirados Árabes) terá que obrigatoriamente passar por lá, mas a vantagem é que mesmo que fique um dia por lá você só precisa desembarcar com sua bagagem de mão. Minhas malas seguiram direto para o Egito, e na volta, seguiram direto para o Brasil, não passaram por revista nos EAU (Emirados Árabes Unidos).

Bem, é isto, fui e voltei são e salvo, graças a Alá! É claro que tive que ficar dois dias sem tomar meus anti-retrovirais que estavam na bagagem despachada no Brasil, mas isso não é assim tão preocupante quando se está em bom estado de saúde. E também, se não estivesse, não teria feito uma viagem dessas, não é mesmo?
Fica aí a dica. Se você viajar de Emirates pra qualquer parte do mundo, na hora de fazer a reserva online dê espaços entre os vôos e a companhia lhe oferecerá estadia em Dubai. Use suas horas na cidade para conhecer, vale a pena.

Ano passado na ida chegamos à noite e embarcamos no dia seguinte à tarde. Assim que chegamos ao hotel pegamos um táxi e fomos conhecer a cidade. Este ano fui mais esperto e chegamos também à tarde na volta para o Brasil, o que nos deu ainda mais tempo pra passear.

Eu não iria à Dubai pra ficar uma semana em minha condição. Não arriscaria ficar tanto tempo sem tomar os medicamentos, mas sinceramente, uma tarde e uma manhã é suficiente pra se conhecer as partes mais interessantes da cidade. Este ano fomos até ao Dubai Mall e ao Mall of the Emirates fazer compras.

A moeda de lá é o dirham, 1 real compra aproximadamente 2 dirhams na data de hoje. Os preços são convidativos pra se comprar eletrônicos e roupas, claro, não nas lojas de grife, o que pra mim não fez mal algum....rs....comprei coisas legais e não gastei muito dinheiro, até porque não sou nem de longe rico, vivo de salário mesmo.

Bem, queria desejar a todos os leitores um Feliz 2010 (embora já estejamos em fevereiro o ano por aqui só começa depois do carnaval...rs...). Está tudo bem comigo, ando um pouco preocupado com os medicamentos aqui no Brasil. Um dos que eu tomo se chama ABACAVIR e está em falta desde dezembro. Por sorte, tinha extra em meu estoque porque comprei de atravessador, mas isto é assunto pra outro post.

Comecei a fazer faculdade de Letras aos 42 anos beirando os 43 (faço aniversário em 24 de fevereiro) e estou muito feliz com minha escolha. Continuo trabalhando muito, estudando muito e vivendo muito!

Beijo grande a todos vocês e até o próximo post!

Anderson Ferreira