domingo, 12 de janeiro de 2014

E 2014 chegou!

Mais um ano se inicia! Em 13 de março próximo serão 27 anos de soropositividade. Soropositividade vivida da maneira mais positiva possível! Sim, tenho lá meus altos e baixos, mas eles nada têm a ver com o fato de eu ter o vírus ou não. Têm a ver com a depressão, a bendita distimia que me acompanha desde os meus mais tenros anos de vida.
Quem de nós não tem lá seus dias de baixo astral, não é? No meu caso, preciso tomar remédios pra me manter mais equilibrado, mas não é algo que terá que ser assim pra sempre. De acordo com meu psiquiatra, provavelmente por mais 1 ano e se tudo correr bem, os deixarei de lado.
Mas para os novos passageiros do barco da vida com HIV a questão do remédio ainda é bastante complicada, sei disso. Digo isso baseado nas inúmeras mensagens e e-mails que recebo aqui pelo blog. Gentém, eu tomo medicação desde 1998, já lá se foram 15 anos, e aqui estou, prestes a completar 47 anos em 24 de fevereiro próximo! Ai, que saudade dos meus 19 aninhos, quando descobri que era portador do vírus. Mas isto não vem ao caso agora...e olha que no começo os efeitos colaterais eram bem mais nocivos do que são hoje. Vivem me perguntando como é que eu lido com a questão da medicação, mas como sempre respondo por e-mail, acho que é válido colocar isso aqui no post. Tomar remédio é um saco! Tomo 2 comprimidos de kaletra, 1 Tenofovir e 1 de Lamivudina pela manhã, depois, à noite, tomo mais 2 kaletra e 1 Lamivudina. Totalizando 7 comprimidos diários para o vírus mais 1 antidepressivo chamado Espran 10 mg. São 8 comprimidos todo santo dia, não vou negar que às vezes, muito, muito raramente, perco uma dose, mas sei que isto é algo bastante perigoso que pode causar resistência do vírus à medicação e causar enormes transtornos pra mim como paciente. Pra quem não sabe nada a respeito, vai a informação: não tomar a medicação em horário pré-estabelecido pelos médicos, direitinho, pode ser prejudicial à saúde. Portando, quem está embarcando neste barco agora, tome os remédios na hora certa que tudo ficará bem. Os efeitos colaterais no início podem ser bem ruins, mas tudo passa, até uva passa, e depois de uma ou duas semanas seu corpo vai aceita-los e você com certeza vai sentir somente os benefícios do tratamento.
Os efeitos colaterais tão temidos lá nos idos da década de 90 já não são mais tão intensos como costumavam ser naquela época. No meu caso, o que eu mais temia era a lipodistrofia. Tremia nas bases só de imaginar a medicação mudando meu rosto, minha feição, e colocando uma etiqueta na minha testa gritando para o mundo que eu era portador. Na época era muito comum ver amigos que sofriam daquele problema, tinham os rostos sulcados pela falta de gordura localizada. Nestes 15 anos sofri sim da diminuição de gordura no corpo, mas foi nas pernas, perdi meus coxões tão famosos nos anos 90 e a bunda também...rs...e isso também evidencia a barriga, que nós homens ganhamos com o passar dos anos, principalmente após os 30. Se não tomar cuidado, se engordar muito, o que também pode ser causado pela medicação, corremos o risco de ficarmos parecidos com uma pera de cabeça pra baixo...kkkkkk!!!!
Não estou dizendo isto pra assustar ninguém não, mas quem me conhece sabe que não sou de florear as coisas. Acho isto até bom porque a nova geração acha que AIDS é uma doença simples de se ter hoje em dia, que basta tomar uns comprimidinhos e tudo fica como era antes. Não, não é assim, infelizmente, mas também não é o fim do mundo. Ter o vírus da AIDS é tão ruim quanto ser diabético, cardíaco, ter hepatite C, ser paciente com insuficiência renal e outras doenças chatas que existem por aí...a diferença grande entre estas e algumas das outras doenças mencionadas anteriormente é que a AIDS traz em si um grande conteúdo de preconceito moral que nós portadores temos que enfrentar e saber como lidar. O estímulo à não utilização da camisinha que volta e meia vejo, ou melhor, ouço por aí, é pura balela. Ter AIDS, ou melhor, portar o vírus da AIDS e desenvolver doenças vinculadas a este vírus, é muito, muito ruim. Digo isso de boca cheia porque sei do que estou falando, e nem digo isso porque experimentei tudo em minha pele, mas porque muitos amigos meus se foram e não estão mais aqui pra me corrigir, infelizmente, graças a este vírus traiçoeiro.
Eu sempre me sinto dividido quando escrevo um post desses. Fico pensando: se florear demais os não-portadores vão achar que é uma festa, se for muito pessimista os recém portadores vão surtar...rs...nem muito lá, nem muito cá, meus leitores. Seja lá qual for a sua realidade, no fim das contas, muito do que irá acontecer depende de Deus, primeiramente, e de você, segundamente, diria Odorico Paraguaçu, penso eu.
Bem, mas a razão inicial deste post é dar a todos as boas-vindas ao ano de 2014 e desejar a todos nós muito sucesso, não esse sucesso que todo mundo deseja por aí relacionado às compras nos shoppings, ao carro novo, ao Iphone 5,6,7, que seja...mas um sucesso interior que todos nós podemos ter independente de nossas posses capitalistas e espiritualmente paupérrimas, em minha opinião. O sucesso da auto aceitação, quem quer que sejamos ou o que quer que façamos em nossas vidas, o sucesso do amor próprio, aquele amor que não permite que ninguém, ninguém neste planeta do sistema solar tenha o poder ou seja dado a oportunidade de nos diminuir ou fazer com que não nos sintamos amados. Isso eu digo por experiência própria, se alguém, seja porque você é soropositivo, homossexual, bissexual, viciado em drogas, ou seja lá o que for que a sociedade não goste que sejamos, se alguém tentar fazê-lo se sentir desimportante por causa do que carrega em seu sangue. Nunca! Jamais permita que essa voz do outro consiga apagar a sua voz interna.
Somos o que somos porque não estamos aqui a passeio, não temos culpa de termos adquirido um vírus mortal que já nos faz sofrer o bastante, por isso não podemos aceitar que outros vírus que têm braços, mãos e pernas nos afetem de modo a nos sentirmos mal porque somos quem somos. Sim, porque quem nos aceita deve ser tratado como vírus também, não merece nossas lágrimas ou nossa tristeza, simplesmente nosso desprezo. Merecem, como o HIV, toda nossa cautela, toda nossa energia de recuperação para que não façam efeito algum sobre nós.
Como já faz 26 anos que eu descobri ser soropositivo eu não consigo me lembrar de quando foi que eu derramei uma lágrima pelo HIV, devo ter chorado sim, claro, talvez no primeiro dia em que tive a notícia. Acho que preciso ler meu livro novamente...rs...a memória já me prega peças...rs. Acho que esta foi a grande lição que eu levo de 2013, aprender a lidar com as questões, pra não dizer pessoas, que tentaram me derrubar durante o ano. Foi uma árdua tarefa, me manter em pé, dei lá minhas caídas e recaídas, é claro, mas consegui! Me livrei de uma situação que há mais de uma década não conseguia me livrar, sofrido foi, tem sido na verdade, mas tudo na vida tem que ter um fim, e só depende de nós buscarmos em nós mesmos a força pra tomarmos decisões; readquiri minha autoconfiança profissional, passei em um concurso público; enfim, fiz inúmeras coisas que me ajudaram a chegar em 2014 me sentindo melhor comigo mesmo.  E é isto que desejo a todos vocês, meus leitores queridos, atentem para o fato que eu não mencionei uma coisa material sequer em minhas listas, pra deixar claro que ter coisas não nos ajuda a ser, muito pelo contrário, às vezes ter coisas nos afasta mais ainda de nós mesmos. Focamos nossa energia quase que toda no ter, no obter, no mostrar, e nos esquecemos do ser, e é pra isso que estamos aqui, na minha concepção, pra nos tornarmos pessoas melhores e não melhores proprietários. ;-)



4 comentários:

  1. Thanks, Skyline! Happy Easter, my friend! ;-)

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  2. Anderson eu queria ler o seu livro, mas toda vez que abro o link ele trava na página 6.Por favor onde posso baixar teu livro?Já li até a página 82 dae o link n deu mais certo

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    1. Olá.Marcelo, tudo bem? Se não se incomodar, pode me mandar seu e-mail que eu lhe envio o arquivo sem problema,ok? Grande abraço! E obrigado por ler meu livro, espero que sua leitura possa acrescentar algo à sua vida.;-)

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