domingo, 21 de junho de 2015

Link para baixar o livro "a Harte de vIVer"

Clique aqui para ser levado ao site e baixar o livro gratuitamente em PDF.

Os gatos não são os principais vilões pela transmissão da toxoplasmose

Olá, queridos amigos e leitores,

Há tempos não escrevo por aqui. Está tudo bem comigo, trabalhando muito. Vivendo uma vida nova, me desliguei de um emprego onde estava há mais de 20 anos e mudei completamente minha vida, pra melhor, graças a Deus. Menos dinheiro, mas mais felicidade! Dinheiro realmente não é tudo na vida. Continuo aqui minha luta diária na vida como todos vocês, matando um leão por dia, né? Vi esta reportagem no UOL sobre o papel do gato doméstico na transmissão da toxoplasmose e achei importante dividir com vocês.

Muitos soropositivos como eu, ainda nos dias de hoje, desenvolvem a toxoplasmose. Doença que afeta o sistema nervoso central. Tive alguns amigos nessa minha trajetória de 28 anos como portador do vírus HIV, que infelizmente vieram a desenvolver a doença. A grande maioria a desenvolveu em uma fase em que ainda não sabiam que eram portadores da doença. Por isto é tão importante que a pessoa saiba que é portador do vírus o quanto antes, para que não dê ao organismo as chances de adquirir tais doenças tão danosas ao corpo e ao cérebro do paciente. Pelo que sei, a doença tende a se manifestar em momentos em que o portador está com sua resistência baixa, leia-se: taxa de linfócitos CD4 baixa (não sei quanto os médicos consideram taxa necessária hoje em dia para início do tratamento com antiretrovirais) e carga viral do vírus HIV alta no sangue. Também é importante dizer que a doença deixa sequelas mas que muitas pessoas que conheço conseguiram uma incrível melhora em seu quadro clínico através de tratamentos como fisioterapia, etc. Cada caso é um caso, né?

Minha recente ignorância quanto a questão da taxa de CD4 mínima aceitável se dá pelo fato de que já há 10 anos minha taxa de CD4 está na casa dos 1000 e a carga viral está também indetectável. Por isso não tenho me inteirado sobre o assunto.

Em março eu tive uma infecção urinária, fui a um hospital particular do  convênio e o médico mal olhou na minha cara. Disse que eu estava com uma infecção urinária e me receitou um antibiótico chamado Ciprofloxacino. Eu disse a ele que sou soropositivo para o HIV e que minha carga viral estava indetectável e o último exame de sangue feito em dezembro acusava contagem de linfócitos CD4 em 980 cópias. Ele me disse que eu não me preocupasse, que infecção urinária é algo comum, que eu tomasse os medicamentos e se não melhorasse em 48 horas, que voltasse ao hospital.
Eu tive um feeling de que ele deveria pedir um exame de sangue ou de urina pra verificar o grau de infecção, mas me calei diante de sua falta de atenção. Pois bem, fui pra casa, a febre baixou com a injeção que me deram e voltei pra cama. Por volta de meia-noite minha febre havia voltado e subira muito rapidamente, perdi a consciência e tive uma convulsão. Fui levado às pressas para o mesmo hospital onde fiquei por 5 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva. Pois é, os médicos erram, e eu errei por não ter insistido que ele verificasse o grau de infecção...paguei um preço alto, a infecção já estava indo para a corrente sanguínea e quase que me despeço deste mundo por uma bobagem. Depois de tanta luta, morrer por uma infecção urinária mal tratada, é no mínimo burrice, né? E nada tinha a ver com o fato de eu ser soropositivo, muito pelo contrário, acredito que se meu organismo estivesse realmente debilitado, não teria resistido e a infecção não haveria sucumbido aos antibióticos aplicados na UTI.

Durante minha internação, os médicos da UTI pediram exame de sangue pra verificar minha taxa de CD4 e carga viral e o resultado foi: carga viral detectável com 1300 cópias e taxa de linfócitos Cd4 em 780. Me assustei com a notícia, já que minha carga viral estava indetectável há mais de 10 anos, falei com minha infectologista e ela acha que pode ter havido erro no hospital, fiz novo exame na rede pública há cerca de um mês e aguardo resultado oficial. Se a carga viral voltou a se multiplicar, vamos ter que mudar o coquetel. Já tive que fazer isso algumas vezes nestes 28 anos, quem lê meu blog tem relatos meus de anos anteriores tratando deste assunto.
Bem, vamos esperar e ver o que há por aí. Estou tranquilo, qualquer que seja o resultado, não sou do tipo que sofre por antecipação, se tiver que mudar a medicação, vamos mudar e pronto, o importante é ficar de olho no tratamento pra não dar vazão a infecções oportunistas como a toxoplasmose e outras mais que há por aí.

Há um outro evento que aconteceu comigo recentemente relacionado à Hepatite C mas isto fica pro próximo post, lá pro final de agosto, começo de setembro, volto e conto a história pra vocês.
É isto, queridos leitores, obrigado pelo acompanhamento do blog e pelos emails que sempre recebo de vocês. Gosto muito quando recebo feedback do livro. Fico muito feliz quando fico sabendo das experiências de vocês e do impacto que o "Harte" tem em suas vidas.  Um amigo me disse que deveria traduzi-lo para o inglês, já que sou professor de inglês, mas não me sinto apto a isto, nem em termos de tempo nem em termos de capacidade pra fazer a tradução, não sou bom em tradução...quem sabe um dia? Um tradutor me pediu R$ 20.000,00 para fazê-lo, negócio de amigo pra amigo, mas é uma quantia muito grande pra desembolsar por algo que não vai ser comercializado.

Ele sugeriu que eu entrasse em um destes sites onde fazem vaquinhas virtuais para a elaboração do projeto, vou pesquisar a respeito assim que tiver tempo, quem sabe o Harte sai em inglês, com certeza vai atingir muito mais gente no mundo todo, né?

Grande abraço pra vocês e boas férias de julho pra quem tem férias em julho, o que é o meu caso. ; - )
Segue a matéria abaixo, copiada e colada do site UOL.

Anderson Ferreira

Fama descabida: o gato não é o vilão da toxoplasmose, dizem especialistas


A fama vem de longe. Falou em gato e gravidez, a toxoplasmose sempre termina pautando a conversa.
A psicóloga Juliana Del Vigna, 40, adotou a gata Dadá quando o filho João tinha apenas um ano. Quando foi engravidar do segundo filho, muitas pessoas a questionaram sobre o perigo do animal. Mas ela conta que não teve medo. "Eu não ia me desfazer da minha gata por causa da gravidez, é uma questão de esclarecimento".
"A médica disse que, antes de engravidar, eu teria que fazer uns exames para ver se poderia ficar com meu gato", lembra a  jornalista Raquel Drehmer, 38. Ela também relutou em se desfazer de Fofão e preferiu procurar outra ginecologista. No fim, não precisou abrir mão do bichano, que  logo mais fará companhia para seu bebê, previsto para nascer no começo de julho. 
A toxoplasmose é motivo de preocupação para quem engravida. Principalmente durante o primeiro trimestre da gestação, ela pode causar, por exemplo, retardo mental e cegueira. E, segundo o veterinário-chefe do Vet Quality, Cauê Toscano, o gato é o único hospedeiro que consegue eliminar a forma infectante da doença, pelas fezes. "Mas é uma fama que acabou sendo criada, infelizmente, que não corresponde a realidade."
O gato não é o grande vilão da doença, explica o infectologista Celso Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo e assessor médico do laboratório Fleury, porque não é o principal culpado pela disseminação. 
"O ciclo do protozoário toxoplasma gondii tem que passar pelo gato, mas o animal leva uma culpa maior do que merece. O que acontece na prática é que há mais chances de se contrair a doença tomando água contaminada, comendo carne vermelha crua, salada e usando utensílios contaminados", ressalta.
Foto acima: a jornalista Raquel Drehmer, 38, com o marido Augusto e o gato Fofão.
Além disso, diz Toscano, o cisto da toxoplasmose só é liberado durante até três semanas da infecção do gato. "Então teria que coincidir o gato contaminado com a doença no momento da gestação da mulher e, durante estas três semanas, ela ter algum problema de higiene que fizesse com que tivesse contato com o protozoário. Passadas as três semanas, mesmo que o animal esteja infectado, ele não vai liberar o cisto."
O veterinário também explica que o cisto, depois de eliminado, precisa de pelo menos 24 horas para se tornar infectante, então uma pessoa que limpa a caixa de areia do gato todos os dias não permite que o prazo de evolução se complete. 
O infectologista destaca ainda que o número de casos de toxoplasmose caiu expressivamente nos últimos 30 anos, diminuindo o risco de contágio.
"Passamos a comer bem mais carne congelada, e o congelamento mata o cisto do toxoplasma. A água também é muito mais tratada do que antigamente, e, o último fator, é que a maioria dos gatos de estimação dos dias de hoje é alimentada com ração. Se eles não saem para caçar não pegam doença e, consequentemente, não transmitem para as pessoas", explica.
"Os gatos em casa não apresentam perigo, basta tomar cuidado com a higiene e a alimentação", defende Granato, que até pouco tempo tinha dois felinos em casa.
Fonte: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=1556091694501895365#editor/target=post;postID=5941679681507242529 acessado em 21/06/2015.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Cuba descobre variante mais agressiva e preocupante do vírus HIV

Especialistas em saúde de Cuba detectaram há alguns anos algo diferente e pouco comum nos pacientes com o vírus do HIV no país: eles desenvolviam a Aids de uma forma extraordinariamente rápida.

Tão rápido que, em menos de três anos, já se encontravam muito doentes, sem praticamente tempo de perceberem que tinham o HIV.

Um grupo internacional de cientistas chegou para investigar a situação e concluiu que, realmente, em Cuba existe uma variante do HIV que é muito mais agressiva.

"Sabemos que 144 pacientes têm essa linhagem do vírus, mas com certeza há mais gente. Isso é só o que conseguimos contar", disse à BBC Anne Mieke Vandamme, da Universidade Leuven, da Bélgica.

Vandamme, cujo trabalho foi publicado na revista EBioMedicine, explicou que se trata de uma linhagem do vírus que foi originalmente descoberta na África.

"Ela foi parar em Cuba por meio das relações dos cubanos com a África. Ainda que não tenhamos conhecimento de que a linhagem tenha se disseminado pela África, ela tem se disseminado em Cuba", acrescentou.

Mais rápido

Os especialistas explicam que, em uma infecção normal, o vírus do HIV tem de se "agarrar" aos receptores, as proteínas na membrana das células.

Em uma infecção comum, o vírus usa o ponto CXCR5. Depois de muitos anos em pleno estado de saúde, ele se muda para o CXCR4, o que coincide com a aceleração da propagação da Aids.

A equipe de cientistas, liderada por Vandamme, observou que, nos pacientes cubanos, essa transição acontece de forma muito mais rápida.

Isso quer dizer que o vírus não "espera" tanto para se dirigir ao CXCR4. O que elimina, de forma drástica, a fase em que o paciente tem uma vida saudável.

Os cientistas estudaram amostras de sangue de 73 pessoas que haviam sido infectadas recentemente e 52 delas já haviam desenvolvido a Aids.

Vandamme explica que o HIV tem diferentes linhagens que podem ser classificadas como "subtipos"; o detectado em Cuba tem "basicamente HIV recombinado de três outros subtipos".

"Você precisa ter sido infectado por mais de um tipo de linhagem do HIV para ter um vírus recombinado como esse", esclarece.

Anti-retrovirais

A especialista explica que, se o tratamento com anti-retrovirais costuma funcionar bem para tratar infecções normais, ele perde um pouco da eficiência dependendo do nível de avanço da doença – "quanto mais avançada ela se encontra, menos consegue se recuperar do sistema imunológico".

"Inclusive, para alguns pacientes, é tarde demais para ter qualquer benefício dos medicamentos", acrescentou.

A cientista explica que, por enquanto, não há preocupação sobre a possibilidade de esta linhagem do vírus se expandir para além da ilha. Isso porque, atualmente, não há muito contato dos cubanos com o resto do mundo.

"É uma linhagem local, por enquanto. Não consigo prever se vai se expandir para fora ou não, mas se isso acontecer, então precisaremos nos preocupar."

Em Cuba, por enquanto, foram diagnosticados um total de 17.625 casos de HIV desde que a epidemia surgiu, na década de 1980, segundo dados da Infomed, site oficial da rede de saúde cubana.

A epidemia cubana é majoritariamente do sexo masculino - 80% de todos os infectados são homens. O Estado oferece atenção e tratamento gratuito a todos os infectados.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Novo link para o download do nosso livro!

Queridos leitores,

Segue abaixo o novo link para o download do livro "a Harte de vIVer". Espero que de agora em diante os problemas com o download tenham sido resolvidos.
Não se esqueçam, caso não consigam fazer o download basta me mandar um e-mail que eu lhe envia via e-mail, ok?
Meu e-mail é anderson2008ferreira@gmail.com  ;-)
O arquivo está em PDF. Para visualizá-lo é necessário ter o programa visualizador do arquivo. Baixe o arquivo em http://get.adobe.com/br/reader/



Clique aqui para ser levado até o livro.

domingo, 3 de agosto de 2014

Ciro - o conto


A TV plásmica estava ligada ali na grande antessala e ninguém dava a ela a mínima atenção. Pessoas passavam em frente à tela flutuante na correria de suas vidas espirituais e mal se apercebiam das notícias apresentadas. Somente Ciro, olhava fixo a tela, mas não era possível saber se via ou ouvia o conteúdo da programação, tão distante era o seu olhar.

Uma linda repórter volitava diante de uma grande tela anunciando as manchetes do dia à população daquela esfera espiritual que abrigava, de acordo com o último censo diário, uma população de espíritos desencarnados vindos do Planeta Terra já por volta de 20 milhões de espíritos. Algumas pessoas chegavam mesmo a comparar a vida em Sólius com a vida na distante cidade terrena de encarnados no Brasil, São Paulo.

Não fosse pela excelência em sua organização e na paz que reinava por todas as vias da colônia, Ciro sempre achava aqui e acolá uma ou outra semelhança: a correria do dia-a-dia, o intenso tráfego de aerobuses que serviam aos espíritos ainda pouco acostumados à vida espiritual à qual haviam retornado, e que ainda precisavam se locomover com suas pernas, já que ainda não dispunham do conhecimento da volitação, e a tristeza no semblante de alguns cidadãos que circulavam pela cidade, aquilo lhe lembrava muito sua longínqua São Paulo.

A apresentadora e repórter vestia uma bela túnica azul que fazia movimentos majestosos de acordo com seus movimentos graciosos, enquanto volitava de um lado a outro da tela a mostrar imagens da própria colônia ou de outras colônias-irmãs.

- Não percam, hoje à noite, uma reportagem especial sobre famosos da esfera terrena. Nosso querido Cazuza, fala do reencontro com seu pai, João Araújo. A megastar, Whitney Houston, fala de seu envolvimento com as drogas no plano terreno e de suas histórias de vidas pregressas. E a grande revelação do século passado no Planeta Terra, Elis Regina, canta pra todos nós com sua divina voz, um pouquinho de seus últimos sucessos gravados e plasmados já aqui em nossa colônia, meus amigos.

Ciro sentia uma dor profunda em seu coração. Imagens da saudade que tinha da terra e de seus entes queridos vinham à sua mente a todo instante. Encontrava-se como que em um estado de torpor e ansiava por seu primeiro encontro semanal com o terapeuta, Dr. Sigmund. Sentia-se feliz por ter a seu dispor tanta tecnologia, conforto mesmo, coisa que jamais teve acesso em sua última vida, já que havia nascido em uma favela da zona sul de São Paulo e tudo que havia tido de mais valioso em sua vida havia sido um cachorrinho vira-lata chamado Billy e uma caixa de sapatos com a qual iniciou sua vida profissional quando contava não mais que 10 anos de vida na esfera terrena.

Aos 13, o crack já era seu companheiro diário, só ele lhe dava um pouco de liberdade, fazia-o flutuar por sobre seus sonhos e pensamentos, o transformava em qualquer coisa que quisesse ser: um médico, um cientista, um astronauta, qualquer coisa podia ele ser quando o crack lhe invadia o cérebro. Quantas vezes Ciro havia sido visto a conversar sozinho pelos faróis da cidade de São Paulo enquanto carregava uma pequena caixa de doces? Todos achavam que ele era louco, mas ele só estava sob efeito de alguma droga alucinógena que o permitia sentir menos dor e desconforto na tentativa de prosseguir com sua sofrida vida.

Aos 15, já se prostituía para comprar drogas. Ele se sentia atraído fisicamente por meninas, mas havia encontrado no sexo uma forma de ganhar dinheiro. Ia sempre a um parque na região da Avenida Paulista, o Parque Trianon, e lá se encontrava com senhores bem mais velhos, alguns poderiam ter sido seu avô, e se submetia a toda sorte de caprichos sexuais de seus clientes a troco de uns poucos trocados que imediatamente se transformavam em mais uma pedra de crack, e mais uma, e mais uma.

Aos 16, uma tosse chata não lhe deixava o corpo, sequer conseguia pegar no sono à noite. Os clientes reclamavam-lhe a falta de carne no corpo, já que alguns diziam-lhe que ele tinha que ter o que pegar. Não lhes bastava somente aquele grande naco de carne com o qual a natureza havia lhe presenteado entre as pernas, sentiam falta de suas curvas e de seus glúteos também avantajados, que já não se faziam mais se aperceber por entre seus ossos, muitos dos quais já expostos pela intensa magreza da qual ele havia sido acometido nos últimos meses. Chegou mesmo a perder alguns clientes, aqueles que lhe apreciavam a região glútea não nutriam por ele mais nenhum interesse, e consequentemente, não lhe davam mais dinheiro algum. Às vezes, ou melhor, muitas vezes, uma lata de cola para cheirar era a única coisa que lhe dava algum conforto já tarde da noite, quando o estômago lhe doía, reclamando por comida.

Ciro contraiu o vírus da AIDS aos 15 anos de idade, isso constava em seus registros no Ministério da Identidade de Sólius. Ele havia descoberto muito sobre si mesmo desde sua chegada 3 meses antes. Ainda havia muito a ser descoberto, pensava ele. Por que motivo havia tido uma vida tão desgraçada? Porque havia o tal Deus do qual todos lhe falavam ainda na Terra sido tão cruel com ele? Por que havia perdido os pais ainda criança, vítimas da droga e da AIDS? A mesma que lhe ceifara a vida aos 17 anos de idade terrenos? Por que tanto sofrimento? – pensava Ciro absorto em sua cadeira sem pés. Ele achava o máximo o fato de que os objetos em Sólius flutuavam como uma pirâmide que ele havia visto em uma reportagem do Fantástico ainda quando encarnado. Os cientistas que analisavam o fenômeno diziam que aquilo era uma farsa, a menos era isso que ele tinha entendido, que não havia na flutuação daquela pirâmide nada de encantado, que provavelmente ela era feita de um imã que estava em cima de um polo contrário, que a repelia, e aquilo dava à pirâmide a impressão de estar flutuando. Ele imaginava se aquela pirâmide que havia visto na TV não teria o mesmo tipo de tecnologia que os objetos de Sólius tinham. Alguém havia lhe dito dias antes que tudo que havia na Terra era uma cópia ainda mal feita de toda a tecnologia do mundo espiritual, que era muito mais avançado. Que as naves espaciais, as curas para as doenças, o celular, a internet, tudo havia sido inspirado na Terra por espíritos especialmente designados para encarnarem na Terra e levarem até eles o progresso e a tecnologia. O número de coisas, objetos, aparelhos, sensações do corpo e do cérebro aos quais Ciro tinha sido apresentado naqueles poucos mais de 3 meses em que estava em Sólius, lhe faziam imaginar o quanto ainda estavam atrasados na Terra e quanto tempo ainda demoraria para aquilo tudo estar disponível na esfera onde havia sido encarnado. Depois pensou e entendeu que aquele tipo de coisa era comum mesmo na Terra, ou seja, a tecnologia que os países desenvolvidos possuíam era muito aquém da tecnologia que seu próprio país, o Brasil, possuía. Por que haveria de ser diferente entre o Plano Espiritual e o Plano Físico, fazia sentido, pensava.

Foi trazido de volta de seus pensamentos por uma voz que o chamava de dentro da saleta onde o psicólogo estava.
- Entre, Ciro. Fique à vontade, sente-se, por favor. – disse-lhe o homem com silhueta de bonachão. Tinha um sorriso entre os lábios que lhe indicava a simpatia no espírito. Em que posso ajudá-lo, meu filho?
- Bem, doutor...eu não sei bem por que to aqui. Eu não tenho problema psisqui...psisqui...
- Psiquiátrico, Ciro?
- Sim, doutor, desculpa. To nervoso.
- Se acalme, meu filho.
- Tá, doutor. Bom, pelo que eu entendi, eu desencarnei porque tinha AIDS. Tudo começou quando... – o médico lhe interrompeu.
- Ciro, meu filho, você não precisa me dizer nada. Eu já sei tudo a seu respeito. Eu estou aqui para lhe orientar sobre a sua nova vida nesta colônia espiritual para espíritos vindos do Brasil.
Uma pequena lágrima formou-se nos olhos de Ciro. Ouvir aquilo, que havia morrido, era já sabido por Ciro, mas ele ainda não havia se acostumado com tudo, por mais que tentasse, era ainda tudo muito difícil.
- Ciro – continuou o terapeuta – você desencarnou vítima de uma tuberculose que se agravou por causa do vírus HIV que você tinha em seu organismo quando estava encarnado. Na verdade, você ainda teria vivido muitos anos, não fosse por sua resistência em tomar as medicações de acordo com a prescrição do seu médico terreno.
- Então eu morri antes da hora, doutor? – perguntou atônito com a revelação.
- Sim, meu filho. Não há milagre que possa ser feito, quando o doente, de qualquer que seja a doença, não faça sua parte. Você foi diagnosticado com tuberculose, sua resistência física já estava bem baixa quando a doença foi descoberta, e infelizmente, o uso das drogas não lhe permitia discernir sobre o que estava fazendo. Você não tomava os remédios, nem para a tuberculose, nem para controlar a multiplicação do vírus HIV em seu organismo. Foi isso que culminou no óbito de seu corpo físico.
- Cul o quê?
- Culminou, Ciro, foi o resultado, entende?
- Sim, entendo, doutor. Doutor, aqui as pessoas têm Aids também? Eu vi lá no hospital onde estive que tinha muitas gente que tavam doente. Eles gritavam de dor, eu mesmo sentia muita dificuldade pra respirar mesmo já tendo morrido. Isso é normal, doutor?
- Sim, Ciro, isto é perfeitamente normal. As sensações são trazidas para cá, enquanto a pessoa não se dá conta, não aceita que já não pertence mais àquele corpo que deixou lá na Terra, as sensações são as mesmas. Há dor, desconforto, sensação de fome, tudo que havia antes, porque estas sensações ainda estão no seu cérebro, entende?
- Entendo, doutor, mas agora não tenho mais fome da mesma forma que tinha. Tomo aí os líquido que dão pra mim tomar lá na casa aonde eu tô, e aquilo me faz sentir bem, sem fome.
- Sim, Ciro, você está certo. As sensações terrenas, todas, irão se dissipando pouco a pouco, conforme você se adequar mais e mais a esta nova atmosfera em que vive. Você está surpreso com o que eu lhe disse, não está?
- To sim, doutor. Eu achava que ia morrer mesmo, por isso não dei bola pras medicação que o médico me mandava tomar. Aqueles remédio que eu tinha que tomar todo dia pra tuberculose, doutor, era muito ruim, me dava um enjôo...os pra AIDs então, nem pensar! Minha boca ficava com gosto de lata, umas sensação estranha, sabe? Tinha caganera todo dia! Vivia mais nos mictório das rua do que debaixo dos meus cobertor. Quando eu num fazia nas rua mesmo! Era muito ruim, doutor! Se eu sabia que podia me curar, eu tinha tomado tudo direitinho, doutor...eu juro!
- Ciro, o que passou, passou. A AIDS nada mais é do que uma prova, uma prova que você mesmo pediu antes de nos deixar há 17 anos no tempo da Terra. Infelizmente você falhou nessa prova, mas não se lamente, meu filho, você passou em muitas outras!
- Mesmo, doutor? Eu tive uma vida desgraçada, doutor! Não fiz nada não...não servi pra nada...era só um nóia que passava o dia inteiro nas rua pedindo e me postrituindo...só isso.

O médico sorriu para ele, aproximou-se e tocou-lhe o ombro.

- Tá rindo do jeito que eu falo, né, doutor? Eu num tive instrução, nunca fui na escola.
- Eu sei, meu filho, não estou rindo de você, estou sorrindo para você. Com o passar do tempo, vamos nos ver semanalmente, você vai poder entender quanta coisa boa você fez em sua vida. Hoje eu vou conversar só mais um pouquinho com você, visto que este é nosso primeiro encontro, mas com o passar do tempo, todas as semanas, você será instruído na sua vida espiritual.Passará a se lembrar de coisas de outras vidas, que o trouxeram até esta, que acabou de terminar no plano terreno e reiniciar no plano espiritual, aqui em Sólis.

As lágrimas já caíam dos olhos de Ciro em abundância. Ele já não as segurava mais, não havia razão para isso, ele pensava. Ele estava liberto das dores terrenas e aos poucos livrava-se de sua ignorância que ainda impregnava seu espírito. Aos poucos as coisas passavam a fazer sentido pra ele, vagarosamente, mas de forma acalentadora ao seu espírito ainda impregnado de sensações terrenas. O doutor continuou:

- Quantas vezes você dividiu seu cobertor sujo com outro morador de rua nas noites frias de São Paulo, Ciro? Quantas vezes você foi acuado pelos seus parceiros de ruas a roubar das pessoas e negou-se a fazê-lo? Mesmo sabendo que corria perigo por isto? Quantas vezes você deixou de comer na sua infância para dar de comer à sua irmã mais nova, Ciro? Você salvou a vida de sua irmã várias vezes, Ciro. Você mudou a vida de uma criança quando naquela vez na Rua XV de novembro, alta madrugada, você não permitiu que ela usasse o crack pela primeira vez. E foi aquele seu ato, Ciro, que salvou a vida daquela criança. Hoje ele é um adolescente sadio, honesto e trabalhador. E nunca usou drogas, Ciro, graças a você, que incutiu em sua mente através de suas duras palavras o sentido do certo e do errado. Você usou sua própria miséria terrestre para dar de exemplo a uma criança e aquilo a marcou para o resto da vida. Impedindo que ela caísse no mundo das drogas.

Ciro chorava intensamente enquanto ouvia atentamente as palavras do psicólogo. Havia pela primeira vez em muitos anos, encontrado o significado da palavra autoestima, graças às palavras de alguém que lhe era totalmente estranho até então.

- Sabe, doutor. Eu descobri uns dia atrás que a gente pode trabalhar ajudando os encarnado quando tiver em condição, é verdade isso?
- Sim, Ciro, é verdade, o trabalho enobrece nossa missão tanto na Terra como aqui. Através do trabalho, da caridade, conseguimos dizimar inúmeros pensamentos e ações negativas que trazemos em nossos espíritos, uma vez que somos todos imperfeitos em constante trabalho de aprimoramento espiritual, meu filho.
- Então, doutor, eu queria, um dia, assim, quando dé, né? Trabalhar ajudando os portador a ser mais forte, sabe? A tomar os remédio, a num infectar as pessoa na hora que tão com a cabeça cheia de droga, estas coisa.
- Com certeza, Ciro. O trabalho de influência através de boas ideias e de inspiração feito por nós, espíritos, é enorme, as pessoas nem imaginam lá na Terra. Há um caso de um escritor, chamado Anderson Ferreira, que foi muito influenciado por nós ao escrever um livro contando às pessoas sobre sua experiência de vida como portador. Ele vive há muitos anos com o vírus, coisa que é possível a muitas outras pessoas, que infelizmente se deixam levar por ideias suicidas, não somente do suicídio como ato em si, mas no suicídio como falta de cuidado com o próprio corpo. Elas desistem muito facilmente, ou porque não se dão com os efeitos colaterais da medicação, que hoje em dia são pouquíssimos comparados ao que eram no final da década de 90, mas também porque temem mudanças em seus corpos físicos, mudanças estas, que às vezes são inclusive necessárias para que elas aprendam a lidar com sua missão como portadores, com suas vaidades, etc.
- Pôxa, doutor. Nunca tinha pensado nisso! Às vez a gente fica muito ligado nas aparência e se esquece do espírito, né, doutor? Se a gente soubesse que no espírito sempre somos bonito, a vida ia ser mais fácil lá na terra, num ia, doutor?
- Com certeza, Ciro, mas aí então não haveria mérito algum. O grande mérito é justamente o esquecimento da vida espiritual, para que façamos escolhas baseadas em nossa fé no Criador e em nosso Mestre Jesus. A fé salva, Ciro. Ninguém é vítima de nada, meu filho. Todos passamos por aquilo que temos que passar, uns mais, outros menos, dependendo de sua elevação espiritual, que nada tem a ver com bens materiais, beleza física, ou dotes de qualquer natureza. Você vai aprender sobre tudo isso, meu filho, ou melhor, vai se relembrar de tudo isso, aos poucos, tenha paciência. Agora nossa hora acabou, espero lhe encontrar aqui semana que vem no mesmo horário para darmos prosseguimento a nosso tratamento. Até mais – disse-lhe estendo-lhe a mão e exibindo um sorriso largo em seu rosto sereno.

Ciro saiu daquela sessão terapêutica renovado, lembrou-se de sua mãezinha, da qual havia se despedido na Terra antes mesmo de completar 4 anos de idade. Imaginou onde ela estaria, se estaria ali naquela colônia como ele, se estaria já de volta à Terra. Mas não se sentiu angustiado, pois sabia que todas as respostas estariam por vir de acordo com a permissão do Pai, para que ele continuasse sua missão de elevação espiritual, assim como todos nós.

Anderson Ferreira em 03 de agosto de 2014.



quinta-feira, 19 de junho de 2014

Problemas com o download do livro "a Harte de vIVer"

Queridos leitores,

Tenho recebido mensagens de alguns de vocês via e-mail dizendo não estarem conseguindo fazer o download do livro. Uma dica para fazê-lo é o seguinte: ao abrir o site onde o livro está hospedado, se você tiver o programa que cria arquivos em PDF no seu computador, clique em IMPRIMIR EM PDF e o arquivo será "impresso" não em papel, mas como arquivo PDF e você o terá em seu computador, ok?

Em breve estarei disponibilizando o livro em outro site, prometo! Caso não possuam tais condições podem escrever para o meu e-mail pessoal que eu envio o livro para seu e-mail, sem problema algum, ok?

Meu e-mail é anderson2008ferreira@gmail.com 

Grande abraço a todos!

Anderson

PS:O link para o download do livro está em postagem mais abaixo. ;-)

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Decepções são forças propulsoras para mudanças.

Queridos amigos, 
Li há pouco o texto abaixo em minha página do facebook e decidi compartilhá-lo com vocês!
Grande abraço!
Anderson Ferreira

Tem uma única receita para a decepção que é acreditar 100% em alguém, em alguma coisa ou em você mesma.
A decepção dói! Ela o desestrutura, ela influencia todos os campos de sua vida, por um momento ela chega a fazê-lo perder o chão. As palavras ditas soam no seu ouvido como se continuassem a ser pronunciadas e aquela dor no peito o acompanha até que você se conecte com todo esse sentimento, viva com toda intensidade a emoção que ela traz e depois, então, com o seu conhecimento ao longo da vida a transforme em força propulsora para uma vida diferente.

Em um primeiro momento, é muito difícil entender que uma decepção possa ser um presente, mas ela é sim, pois lhe dá a chance de se transformar, de se superar e de finalmente crescer.
Tudo em nossa vida é informação, até mesmo as emoções que vivemos são informações. O primeiro passo para mudança é procurar a informação que existe por trás de um sentimento.
Essa informação pode ser interpretada como uma traição, ou uma rejeição. Essas são normalmente as informações que vêm do sentimento da decepção.

Se vier como uma traição, ela lhe faz perder o eixo, pois lhe traz pensamentos do tipo: depois de tudo que eu fiz pela pessoa, ela teve a coragem de me trair. Se vier como rejeição, ela lhe trará pensamentos do tipo: eu não sou nada, não significo nada para esta pessoa, ela me colocou em segundo plano. Por trás destes dois sentimentos existe, no entanto, uma verdade: você o tempo todo agrada às pessoas em excesso com um objetivo de receber amor em troca.

Quando há, na análise da situação, a frase: eu fiz tudo pela outra pessoa, aí já precisamos parar para uma avaliação: você fez tudo porque queria algo em troca e esta é uma das piores expectativas que podemos ter. O outro só lhe dará o que ele tem para dar e em muitos casos não é o que você espera.
Quando nesta análise encontrarmos a rejeição, novamente você terá absoluta certeza que agradou em excesso para receber amor em troca. A necessidade de amor que não pode ser satisfeita gera ódio em relação à mesma pessoa a quem mais se ama.
Relacionamentos de mão única são doentios e servem somente como via de aprendizado. Não há necessidade de sofrer por tempo indeterminado, é hora de mudar!
Quando nossa necessidade interior de cura se torna muito grande e nosso pedido de ajuda é sincero, encontraremos uma forma de cura que nos levará a um patamar vibracional diferente.

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